EDUCAÇÃO NO BRASIL A PARTIR DE 1964

Após a II Guerra Mundial no Governo do Gal. Dutra, a Escola Pública atendia aos ricos, a classe média e aos pobres embora por falta de informação, ignorância e descaso dos pais milhares de crianças não a frequentassem. No entanto neste governo se iniciou uma forte campanha de Alfabetização de Adultos que realmente deu certo. Estudei o Primário nesta época e tenho convicção que o modelo de Ensino empregado então, era muito mais eficiente para o aluno, mais gratificante para o professor e mais produtivo em termos de resultados culturais para o Governo e para a Sociedade.

Até o Governo posterior, o de Getúlio Vargas, a Escola Pública Brasileira cumpriu muito bem o seu papel apesar da pequena escolaridade, haja visto, o grosso da população infantil pobre nela não estava presente mais a maioria de nossos lideres quer sejam políticos, empresários, militares ou intelectuais são oriundos da Escola Pública Brasileira dos anos 40, 50 e 60 do Século passado. Prova maior são os candidatos a Presidência da República neste ano de 2010. Dilma Roussef e José Serra que não se cansam de alardear orgulhosamente em suas falações, este momento educacional tão especial em suas respectivas vidas.

A morte de Getúlio Vargas ainda no seu Governo marcou o inicio da desagregação da Cidadania Brasileira e a Educação sofreu com isso. A nossa elite e os governantes embevecidos com o progresso do Primeiro Mundo, notadamente os Estados Unidos e Inglaterra sonhavam com os modernos bens de consumo lá produzidos e a nossa Elite queria ser como as elites de lá; donas de siderúrgicas, liceus, faculdades, bancos, impérios industriais e a viver e sentir a vida como eles sentiam. Nesta época os americanos já desenvolviam desde o após guerra uma política de colonização cultural subliminar, silenciosamente na América Latina e até hoje as pessoas não acreditam que isto aconteceu e acontece. Sem terem como se igualarem as Elites do Primeiro Mundo só restou a nossa seguir seus ditames, consumir seus produtos, vender barato nossa matéria prima e abrir as portas para seu capital predador. Mesmo assim o Brasil se modernizava embora os atritos entre as esquerdas e direitas políticas ocupassem os noticiários.

Ao contrário do primeiro, o segundo governo Vargas não despertou nos analistas o mesmo fervor ao tratar da educação. Desapareceram os problemas? Teríamos avançado o suficiente com tantas medidas estruturais promovidas no período anterior? Os dados do IBGE não nos confortam nessa direção”.

http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas2/artigos/EleVoltou/Educacao

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Passadas quatro décadas, a rede estatal ainda não superou esses desafios. Mas é ela que acolherá os repetentes e os inadimplentes da rede privada. Estes, em contingente que cresce em progressão geométrica. É ela que terá de educar os pobres, também cada vez mais numerosos. Em suas escolas, em 2002, estavam matriculados 44 milhões de jovens e crianças. Na rede privada, 6 milhões. A escola pública terá de ser a educadora do Brasil.

Cada vez mais ausente das políticas públicas, enfraquecido e privatizado, como o Estado brasileiro cumprirá essa tarefa? A cada ano com menos tempo e recursos para investir em formação contínua, como os professores da rede estatal lidarão com suas notórias defasagens de formação? O que essa clamorosa demanda brasileira tem a ver com o mercado das novidades?”

Luiz Paulo Labriola, 45, é pesquisador em filosofia da educação pela USP, especialista em ensino médio e docente em cursos de formação de professores nas redes municipais de São Paulo e Itatiba (SP).

http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u522.shtml

Resumindo

Em 28 de Janeiro de 1959 é editada a Nomenclatura Gramatical Brasileira
Em 2º/12/1961 é sancionada a Lei de Diretrizes e Bases como a Lei n°4.024
Em Abril de 1967 Portugal edita sua Nomenclatura Gramatical Portuguesa.
O processo de organização estudantil se desenvolve
Em 1967 a Tropicália chega ao seu auge mais um AI-5 a sepulta em 1968
Em 12 de Dezembro de 1996 é editada uma nova Lei de Diretrizes e Bases.
Em 2000 se inicia a construção do Museu da Língua Portuguesa
Em 2003 Lula cria o Grupo de Trabalho Interministerial na intenção da Reforma de Educação Superior
Em 2004 Portugal edita a TLEBS, Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário
Em 2006 é inaugurado o Museu da Língua Portuguesa
Em 2008 Portugal suspende a TLEBS até 2010
Em 2009 Portugal completa a sua Reforma do Ensino Superior
Em 2010 ainda indefinida a Reforma do Ensino Superior Brasileiro

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Marcos Thu Apr 01, 2010 6:49 pm GMT

Na conferência de encerramento de um importante congresso de linguística realizado em Salvador em julho último, o linguista Carlos Alberto Faraco perguntava: “Lusofonia, utopia ou quimera?” Fazendo uma preciosa análise das diferentes “fonias” existentes (a francofonia, a anglofonia e a hispanofonia), Faraco concluiu que a tal “lusofonia” está anos-luz de distância de ser algo parecido com essas outras poderosas políticas linguísticas. Nós, brasileiros, pouco nos lixamos para ela, que é um tema muito mais debatido em Portugal do que nos demais países de língua oficial portuguesa. Ao contrário das demais “fonias”, a lusa não tem instituições fortes e atuantes, que de fato causem impacto nos lugares onde atuam. Tudo se resume a entidades inócuas e a um discurso de samba-exaltação sem consequências concretas. Ao contrário das outras também, que são sustentadas por nações importantes e ricas – França, Grã-Bretanha (a chamada Commonwealth não inclui os Estados Unidos, somente as ex-colônias britânicas tornadas independentes durante o século XX) e Espanha (quinta maior economia da Europa) -, a lusofonia tem como principal arauto um país em tudo periférico da União Europeia, desimportante na geopolítica mundial e nem de longe uma potência econômica. Não bastasse isso, os demais países “lusófonos”, excetuando-se o Brasil, encabeçam a lista das nações mais pobres e subdesenvolvidas do mundo: Guiné-Bissau, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Moçambique, Angola, Timor. As três primeiras dependem exclusivamente da ajuda internacional para sobreviver. Com isso, dá para dizer que se trata, de fato, de uma “ilusofonia”, uma quimera que Portugal não tem a menor possibilidade de sustentar. Ainda assim, Portugal age com prepotência colonial: não reconhece os certificados de proficiência em português emitidos pelo Brasil e impede (por lei!) que professores brasileiros ocupem as cadeiras de ensino da língua em universidades estrangeiras. Na União Europeia, proíbe-se que os tradutores simultâneos para o português sejam brasileiros… Portugal parece se alimentar do mito bíblico de Davi contra Golias, mas a realidade sociopolítica e econômica do mundo atual é coisa muito mais séria do que qualquer mito sebastianista de Quinto Império. No entanto, isso não nos autoriza a jogar no lixo o projeto de uma comunidade de povos falantes do português. O fundamental é que ela seja conduzida, em conjunto, pelos dois únicos países em que o português é língua hegemônica em todo o território: Brasil e Portugal. E que o Brasil abandone sua secular posição de subserviência e mostre a Portugal que quem manda mesmo, hoje, na língua, somos nós e que cabe a Portugal, isso sim, seguir os passos das políticas linguísticas que nós propusermos. O caso recente do acordo ortográfico foi exemplar. Como me disse Gilvan Müller de Oliveira, especialista em política linguística, “Portugal saiu para pescar e quando voltou o Acordo Ortográfico já estava implantado e ele não podia fazer mais nada”. A chiadeira portuguesa contra a nova ortografia não pode alterar o fato consumado. O Acordo, que o Brasil já implementou com tremendo sucesso (apesar das críticas bobocas e desinformadas de muita gente), representa um passo gigantesco na promoção de uma verdadeira política lusófona, na qual ou Portugal se conforma com a posição que lhe cabe ou vai ficar numa obscuridade periférica ainda mais profunda do que aquela em que já está mergulhado, com saudades do que não foi.

http://www.antimoon.com/forum/t16128-45.htm

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Artigo escrito, em 1983, pelo professor, crítico literário, ensaísta e imortal da ABL (Academia Brasileira de Letras): Afrânio Coutinho.

Em 1935, por Decreto no 25, de 16 de setembro, a Câmara Municipal do antigo Distrito Federal, baixou uma determinação no sentido de “que os livros didáticos só sejam adotados no ensino municipal quando denominarem de Brasileira a língua falada no Brasil (Diário Oficial, 17-09-1935, Atos do Poder Legislativo da Prefeitura do Distrito Federal). Transcrevem-se adiante itens do decreto:

1o – Os livros didáticos, relativos ao ensino da língua serão adotados nas escolas primárias e secundárias do Distrito Federal quando denominarem de Brasileira a língua falada e escrita no Brasil;

2º – Nos programas de ensino, os capítulos referentes à língua pátria deverão referir-se, exclusivamente, à língua brasileira;

3o – As denominações das cadeiras de ensino da língua pátria, em todos os estabelecimentos de ensino mantidos pela Municipalidade serão imediatamente substituídas pela denominação Língua Brasileira.

Como foi que uma decisão dessa natureza não se levou em consideração e passou para os atos que não se cumpre, como há inúmeros no Brasil?

A filologia brasileira e os professores de vernáculo teimam em não enxergar a evidência da transformação radical que está sendo operada na fala e na escrita da língua usada em nosso país. Os professores continuam a ensinar uma língua totalmente defasada em relação ao uso. Quem faz uma língua é o povo, todos sabemos disso. Desde o século XVI que a nossa está sofrendo um impacto violento das novas condições geográficas, políticas, sociais, literárias, interpretados pela população local. Inúmeros são os testemunhos que referem essa transformação. E os escritores utilizam as formas novas e as interpretam, em sintonia com a fala corrente. Exemplo gritante é o de Gregório de Mattos, criador de uma tradição nova que a linguagem literária adotaria e desenvolveria através dos séculos. O Padre Antônio Vieira escandalizou os ouvintes em Lisboa, ao pregar com o sotaque brasileiro (já no século XVII). Ele mesmo recomendava aos noviços na Bahia que seguissem a língua “brasílica” ao pregar aos silvícolas.

Há um divórcio muito profundo entre o que ensaiam os filólogos tradicionalistas e lusófilos e o que pensam e praticam os escritores. Os primeiros fazem finca-pé na defesa das normas lusas. Perguntei certa feita a um professor se ele considerava erro, numa prova, o aluno escrever – eu vou lhe visitar hoje. Imediatamente respondeu que sim. E se seu filho, na mesa, disser coisa semelhante, que fará?

Ele embatucou.

Enquanto isso os escritores, na linguagem literária, há muito tempo, já oficializaram a língua falada, já a introduziram na sua escrita, já lhe deram foros de cidade. E a evolução dessa prática só tem sido crescente e alarga-se. Ninguém conseguirá deter essa onda, nem toda a filologia tradicional junta.

O que temos de fazer é adotar logo a denominação “língua brasileira” como título da nossa língua. Os holandeses assim o fizeram em relação à língua materna – a alemã. Hoje só se referem à língua holandesa e não gostam quando alguém lhes fala em alemão.

Por que continuamos com essa atitude de subserviência e não partimos para dar curso à resolução da Câmara Municipal do antigo Distrito Federal? É uma opção que se impõe a um povo de 200 milhões de habitantes, senhor do seu destino. Aliás, já Gonçalves Dias empregou a expressão “língua brasileira”.

Uma opinião de Denis Fortuna

Oi pessoal, sou estudante de lingüística e línguas eslavas na Universidade de Amsterdã, Holanda. Algo que venho pensando e gostaria de defender aqui é o seguinte.

……………………………….Tá na hora de declararmos a independência linguística! E chamarmos nosso idioma de BRASILEIRO ! Há um tempo atrás, comprei um curso de português pra minha ex-namorada polonesa Um livro vinha até com um CD com diálogos. Quando chegamos na casa dela, fomos direto escutar o CD. Aí eu tive uma surpresinha! Eu mal entendi o que eles falavam no CD!!! Cheio de palavras que eu nunca tinha escutado na vida!!! Então, eu pensei comigo: Essa daí não é minha língua, não! Pois é, no Brasil, nós falamos uma outra língua! Então, por isso defendo a mudança do nome do nosso idioma! Já que seria pouco provável que os portugueses mudassem o nome do idioma deles. Por isso, BRASILEIRO!

Brasileiro: adj. 1. referente ao Brasil; 2.que vem do Brasil. s.1. habitante do Brasil.

Quando um estrangeiro quer aprender a língua do Brasil muitas vezes compra “gato por lebre” porque há uma denominação comum pros dois idiomas. Um amigo meu brasileiro comprou em Londres um livro de Paulo Coelho. O livro tava em “português”. Quando ele começou a folhear o livro, percebeu que os portugas efetivamente tinham “traduzido” o livro pro “português”! E aí, a gente fala “português” ou brasileiro?

http://www.ponto.altervista.org/pontovista/art9.html

Marcos Bagno é lingüista, escritor e tradutor. Doutor em Filologia e Língua Portuguesa pela USP, atualmente é professor de Lingüística na Universidade de Brasília (UnB). Entre seus principais títulos estão: Dramática da Língua Portuguesa, Português ou Brasileiro? Um convite à pesquisa e A língua de Eulália (ficção), além de dezenas de obras literárias. Traduziu autores como Balzac, Sartre e Oscar Wilde. ).

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Entrevista a Lucas de Sena Lima

Marcos – Eu acredito que o português brasileiro (que já poderia ser chamado simplesmente de brasileiro) já é uma língua distinta do português europeu. Assim como podemos montar árvores genealógicas que partem do latim e se distribuem em ramos pelas diferentes línguas românicas, 500 anos de história colonial já nos permitem criar uma árvore genealógica que, partindo do galego arcaico, século XI-XII, se distribuiria em diferentes ramos que incluiriam o brasileiro e os crioulos de base portuguesa. Somente quando assumirmos que temos uma língua distinta da de Portugal é que poderemos abandonar as gramáticas normativas que tentam fazer uma descrição de uma super-língua que não é língua de ninguém, como a de Celso Cunha & Lindley Cintra, e fazer uma gramática que realmente descreva o brasileiro.

http://movimentoculturalgaia.wordpress.com/2010/04/25/entrevista-marcos-bagno/

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Eni P. Orlandi é professora titular de análise de discurso do Departamento de Lingüística do Instituto de Estudos da Linguagem(IEL); coordenadora do Laboratório de Estudos Urbanos (Labeurb) da Unicamp; e pesquisadora 1A do CNPq.

Quando, mais acima, falei da disjunção obrigada referia-me a uma certa indistinção, mas também à polissemia. Há uma composição de sentidos em nossa memória lingüística que funcionam, simultaneamente, em movimentos simbólicos distintos, quando falamos a língua brasileira. Isto significa que há uma marca de distinção na materialidade histórica desses sistemas simbólicos que carrega a língua brasileira dessa composição de sentidos. Eis a duplicidade, a heterogeneidade, a polissemia no próprio exercício da língua: o português e o brasileiro não têm o mesmo sentido. São línguas materialmente diferentes.

http://brasiliano.wordpress.com/2008/09/22/a-lingua-brasileira-2/

Uma raça, cujo espírito não defende o seu solo e o seu idioma, entrega a alma ao estrangeiro, (antes de ser por ele absorvida (Rui Barbosa)

Assim, a língua faz parte da terra. Se queremos defender a nacionalidade, defendendo o solo, urgente que defendamos também, e antes de tudo, a língua, que se integra no solo e já é base da nacionalidade ( Olavo Bilac )

Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua de sua terra; todas as outras deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade. O cosmopolitismo do verbo lhe dá irremediavelmente o cosmopolitismo do caráter. Por isso o poliglota nunca é patriota. ( Eça de Queiroz )

De fato a língua nacional, porque é um legado das gerações passadas, verdadeira herança no berço havida, o veículo de nossas idéias, dos nossos sentimentos, torna-se poderoso elo que aproxima e une espíritos e corações. Patrimônio comum, sob a guarda de todos, pois que a todos pertence, a língua pátria é um aparelho destinado, por longo uso, ao serviço do nosso pensamento e, assim, preciso querer-lhe muito, é necessário ter carinhos especiais com ela, máxime nos Países que, como o Brasil, recebem bem grande número de indivíduos de outras terras, correndo, de tal sorte, o risco de se desnacionalizarem aos poucos, devagar, mas com certeza. (Carlos da Silveira )

Essas eminências de nossa erudição e cultura que com seu labor e obras serviram de exemplo para outros tantos letrados e eruditos desta Nação, jamais sairiam em defesa de uma causa imprópria. Assim como eles, poucos são os que defendem o Idioma Brasileiro como a nossa Língua Pátria, o maior embasamento de nossa Cidadania.

Right or wrong, my country !

(Conde de Afonso Celso)

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Estamos em 2017: o Brasil passa por sérias recomposições sócio políticas econômicas e surpreende o Mundo. No entanto, a sua Educação Pública do fundamental a faculdade esperneia quase moribunda e um incrível paradoxo dos paradoxos podemos aferir sobre isso.

Em um País nesse caso o Brasil, cujo Ensino Público está quase falido, existe, funciona, progride e se desenvolve a Maior Empresa de Ensino Privado deste Mundo, a Kroton Anhanguera que supera em muito, os maiores Conglomerados Educacionais do Planeta; o Americano, os Europeus e os Chineses.

Como podemos explicar este outro paradoxo; a nossa Elite política se constitui em sua maioria de incompetentes que não possuem anelo ao País e as coisas públicas mais em contra partida temos EMPRESÁRIOS com aquele rosto de “caipira” bem sucedido que demonstram ao Mundo a sua  competência, seu arrojo e a sua capacidade do realizar.

****FIM.